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Meu filho não gosta de festa: e agora?

Tem criança que ama festa, desde o momento em que chega, corre, dança, fala com todo mundo, quer brincar e aproveitar tudo ao mesmo tempo; enquanto outra observa de longe, se esconde atrás dos pais, fica quieto, se incomoda com o barulho ou simplesmente não demonstra vontade de participar.

Quando isso acontece, muitos pais sentem um aperto estranho. Na maioria das vezes, a resposta não está em “algo errado” com a criança. Está apenas no jeito dela sentir o mundo, nem toda criança vive a festa da mesma maneira, algumas crianças se cansam com excesso de estímulo. Outras precisam de mais tempo para se conectar com ambientes novos. Algumas não gostam de lugares muito cheios. E existem aquelas que simplesmente preferem experiências mais calmas, menores e mais previsíveis.

Muitas vezes, sem perceber, nós adultos criamos uma expectativa de como uma criança “deveria” agir numa festa. Esperamos animação, interação imediata, empolgação. E quando isso não acontece, surge a comparação.

“O filho da minha amiga adora.”
“Na idade dele eu também gostava.”
“Será que ele é tímido demais?”

Talvez o seu filho não esteja “deixando de aproveitar”, ele apenas esteja aproveitando do jeito dele. Tem criança que precisa primeiro entender o ambiente, observar, se sentir segura e encontrar um espaço onde ela possa existir sem pressão. Porque festa infantil também pode ser intensa. Luzes, sons, muitas pessoas falando ao mesmo tempo, cheiros diferentes, contato social constante… para algumas crianças, tudo isso é estimulante. Para outras, é excesso. Tem criança que ama brincar, mas em grupos menores. Tem criança que prefere atividades criativas ao invés de brincadeiras agitadas. Tem criança que participa depois de observar por bastante tempo. E tem aquelas que só se sentem seguras quando percebem que ninguém está esperando que elas sejam diferentes do que são.

Quando a pressão diminui, a criança encontra o próprio caminho dentro da festa, um detalhe chama a atenção, uma oficina desperta curiosidade, uma brincadeira mais calma cria conexão. E ela encontra, aos poucos, um espaço seguro dentro daquele ambiente. O mais bonito é perceber que pertencimento não acontece quando a criança é forçada a participar. Acontece quando ela sente que pode ser ela mesma.

No fim, talvez a pergunta não seja:
“Como fazer meu filho gostar de festa?”

Mas sim:
“Como criar experiências onde ele se sinta confortável para viver a infância do jeito dele?”